DRA. Dora

Existem pessoas que nos ensinam tanto com seus exemplos que se tornam inesquecíveis em nossas vidas. Assim é DRA Dora, como gosta de ser chamada… Doralice(que lindo nome)é seu nome de batismo e ela é minha tia materna. Tia Dora tem 76 anos de idade e é uma figura folclórica na nossa família.

Se vocês estão pensando que o DRA na frente do nome Dora é a abreviação do nome Doutora, gostaria de explicar que minha tia não tem formação acadêmica na área de medicina, advocacia ou Phd em alguma área da ciência para ter esta sigla/nomenclatura na frente do seu nome mas o DRA vem dos nomes: Doida, Rica e Amostrada, como ela mesma se coloca para as pessoas. Ela se mostra uma doutora na vida na verdade… Nos divertimos com essa mulher forte e cheia de vida.

Esta senhora tem todos os motivos para ser uma pessoa triste, amargurada, daquelas que parece que chupou limão, mas no entanto ela é um exemplo de superação, força, de bom humor, camaradagem… a tia é tudo de bom. Tia Dora teve poliomielite quando tinha 1,5 ano de idade e quase morreu se não fosse sua resistência ou persistência em viver. A Pólio deixou algumas sequelas e a mais marcante ficou na sua perna esquerda… ela é deficiente física desde esta idade onde a maioria das crianças estão começando a andar, ela parou o processo por ali. Apesar da deficiência, Tia Dora casou e teve  dois filhos de uma gestação normal.

Eu acredito muito no ditado que diz que “Deus nos coloca a carga que conseguimos levar/aguentar” e este ditado cai como uma luva para Dra Dora pois ela é tão energética, cheia de vida que nem consigo imaginá-la sem esta deficiência, ou no que daria se ela fosse totalmente normal. Ela fez do seu defeito, sua qualidade e segue linda pela vida, sem pena de si mesma e com muita garra.

Sempre muito ativa, mobilizando quem está ao seu redor e mesmo numa idade bem jovem chegou a ir  no programa do Sílvio Santos para arrecadar fundos para um aparelho para perna doente, onde ela pudesse se tornar mais móvel, alguns anos depois chegou a operar a perna para obter mais apoio e assim andar sem o aparelho. Sempre fez inúmeras Campanhas para ajudar algum familiar ou conhecido com dificuldade financeira. Arrecadando dinheiro e o transformando em Cestas básicas, etc…

O que mais me fascina nesta lutadora é sua capacidade de superação, apesar dos baques que a vida sempre dá, ela não perde o bom humor e é um exemplo de simpatia. Dora tem 76 anos e agora é que apronta… a última foi que ela caiu no banheiro e não falou para ninguém… aparentemente deve ter tido alguma luxação na musculatura mas não disse nada até duas semana depois da queda e quando foi abordada sobre o assunto, falou: “Só perco meu tempo nesses hospitais e não quis sair de casa”. Quero passar pros meus filhos essa vontade de viver dela, esta positividade, este alto astral.

Lembro que fui uma adolescente rebelde sem causa e meio que era fora dos padrões para as meninas da época e Tia Dora sempre me dizia que eu era igual a ela, mas acho que a tia é mais original que eu pois minha fase de adolescente passou, hoje sou uma adulta boring(enfadada) e a tia fica cada dia mais parecida com Dercy Gonçalves. Acredito que ambas somos Segundo Madona: A Rebel Heart(coração Rebelde).

Ela foi me apresentar para uma vizinha há uns dois anos atrás e disse: “Menina, vem conhecer minha sobrinha… ela é doida que nem eu, fala palavrão e manda tudo p PQP”, rs, rs, rs… se a tia soubesse que virei diplomata depois que passei a andar entre os portos desse mundão, que virei perita em linguagem corporal, aprendi que o olhar fala e recebe mais informações que qualquer língua falada ou mais que os outros sentidos, que a linguagem falada é só 18% da comunicação e que cada vez que você vai aprendendo mais uma língua, mais calada você fica(já vou aprendendo a minha sexta língua falada), ficamos mais calada pois vamos entendendo mais a mágica do encontro.

Obrigada, Tia Querida pela reflexão e saiba que meu coração fica cada dia mais agradecido por você ter passado por nossas vidas. O mundo precisa de mais pessoas originais como você, inesquecíveis, que deixa sua marca no Universo por onde passa. Ela NÃO passa despercebida por onde anda, TODO mundo conhece e se lembra dela… E quem disse que DRA Dora é fácil de engolir? Ela tem VÁRIOS bordões:

-“Eu sou Dora doida, Rica e Amostrada, minha filha!”.

-“Minha Raiva sai na urina!”

-“Mando peido pro Diabo”.

-“Muito Obrigada, Minha Filha!”

-“Eu sou Doralice velha, Meu Amor!”

Escrevam abaixo alguns outros bordões da tia nos comentários, quem quiser, para quem tiver algo a acrescentar. Bj, Tia… 💜

Visto para Noruega

Vim para Noruega a primeira vez em maio de 2002 com visto de 3 meses de turista e casei neste intermédio de tempo, ou seja, já fiquei direto esperando minha licença de trabalho, esperar visto para sair do país, etc… meu marido comprovou que podia me sustentar neste período de espera com seu ordenado, ele tinha mais que 25 anos de idade, tinha um emprego fixo, pagava impostos(muito importante isto por estes lados) e assim fizemos. Hoje eu sei que é mais complicado, eles dificultaram as leis um pouco.

Eu vim para a Noruega com visto de família mas existem vários procedimentos para os diferentes casos. As leis, ordem e casos variam de tempos em tempos. Posso dizer que as leis eram menos complicadas há 16 anos atrás. Hoje, eu teria que voltar para o Brasil, mesmo casada, mesmo meu marido comprovando que poderia me sustentar e teria que esperar a liberação de trabalho, abertura dos portos, vaga na escola, todas estes procedimentos leva mais ou menos 1 ano, o visto tem que ser renovado a cada ano nos três primeiros anos de residência… lembro que esperei quase um ano pela minha liberação de trabalho.

A Escandinávia, ou seja, Noruega, Suécia e Dinamarca(Finlândia também pois faz parte dos países Nórdicos mas Finlândia não faz parte da Escandinávia), no geral, tem o mesmo sistema jurídico e as leis são bem parecidas, existindo apenas algumas exceções. Se você é cidadão do mundo, gostaria de passar alguns meses além dos três meses de turista, anos ou até mesmo adotar algum dos países Escandinavo como sua nova morada, existem várias maneiras para fazer isto. Por exemplo, os vistos mais comuns ou mais usados pela maioria das pessoas são o visto de família, o visto para estudantes e o visto por questões de trabalho. Existem também vistos para casos especiais como, por exemplo, para quem está como asilado político ou visto para quem quer investir no país interessado, na área de imóveis(por exemplo).

O bom de morar muito tempo por aqui é que tanto você quanto a sua família, inclusive, o conjugue estrangeiro(no caso, Norueguês) pode ter dupla nacionalidade. Lembro que tive que abdicar minha nacionalidade Brasileira ha 14 anos atrás  mas hoje ninguém precisa passar por este processo, você já recebe os dois passaportes. O meu processo durou mais ou menos 2 anos para acontecer e pude fazer a petição da nova nacionalidade 2 anos antes de fazer 6 ou 7 anos de moradia.

Não há qualquer restrição quanto à múltipla nacionalidade de brasileiros. A nacionalidade brasileira não exclui a possibilidade de possuir, simultaneamente, outra nacionalidade. A perda de nacionalidade brasileira somente ocorrerá no caso de vontade formalmente manifestará pelo indivíduo.

Alguns fatos sobre a Noruega: Apesar de ter rejeitado a adesão à União Européia, a Noruega mantém laços estreitos com a UE e com seus países-membros, bem como com os Estados Unidos. A língua oficial da Noruega é o norueguês – uma língua germânica muito próxima do dinamarquês e do sueco. A monarquia oficialmente retém o poder executivo, no entanto, após a introdução de um sistema parlamentar de governo, os deveres do monarca, desde então, tornaram-se estritamente representativos e cerimoniais. O analfabetismo é zero e as crianças tem o dever de irem para escola. A geografia, a história, a natureza e o clima, contribuíram significativamente para formação de sua cultura atual.

O Remo

A Wikipédia me diz que Remo é:

Remo é um desporto de velocidade, praticado em embarcações estreitas, nas quais os atletas se sentam sobre carrinhos móveis, de costas voltadas para a proa, usando os braços, tronco e pernas para mover o barco o mais depressa possível, em geral em rios, lagoas, enseadas ou pistas construídas especialmente para a prática da modalidade, mas por vezes também no mar.

Pode ser praticado em diferentes categorias, desde barcos para uma pessoa, duas, quatro ou oito. Cada remador pode conduzir o barco utilizando um ou dois remos dependendo do tipo de barco,ou controlar o leme por via de cabos ligados às sapatilhas(nome dado ao sítio onde o remador prende os pés). Alguns barcos ainda podem ter incluída a presença de um timoneiro responsável por dar o ritmo da remada aos atletas.

O remo é um desporto muito completo, quer do ponto de vista dos atletas envolvidos (todos os grandes grupos musculares), quer do ponto de vista da demanda fisiológica que supõe. Na verdade, trata-se de um desporto de resistência-força (aquilo a que os anglo-saxônicos chamam de “power-endurance sport”), ou seja, um desporto que exige níveis muito elevados de força muscular e de resistência à fadiga. Assim, os remadores são, usualmente, muito fortes e bem musculados e possuem uma muito elevada capacidade aeróbica, para poderem oxigenar a grande quantidade de massa muscular utilizada no seu desporto. A combinação destas duas características confere-lhes uma capacidade física singular, senão única.

Um aspecto interessante do remo é que este desporto tende a selecionar os atletas mais altos e com membros mais longos, porque estes conseguem mais facilmente obter um padrão de exercício de força mais continuado e prolongado na água (remada mais ampla). Assim, é raro encontrarmos, por exemplo nas finais das olímpicas, remadores com menos de 1,90 m de altura, havendo mesmo muitos com mais de 2,00 m. Dada esta característica do desporto, criou-se a categoria “peso leve”, para possibilitar a prática competitiva do remo a homens e mulheres mais próximos do padrão normal da população. Isto possibilitou um novo tipo de atleta , mais “compactos” com um grande rácio de peso/potência, propensos a regatas de sprint(regatas de 500m).

Bom, minha irmã mais velha tinha uma amiga de trabalho que remava no Sport Clube do Recife e que estava procurando uma parceira para fazer um time médio de 4 remadoras. O Remo Feminino naquela época não era tão popular. Lembro que minha irmã comentou sobre isto em casa e eu disse que queria tentar. Depois de muito esforço, ela me levou lá, todos me aprovaram e comecei a treinar na outra semana…

Acredito que eles estavam desesperados para achar mais uma candidata pois eu não tinha nada dos critérios de seleção, de ter uma boa estatura(altura) ou longos músculos que um remador deveria ter, até mesmo para a categoria de peso leve, na verdade, meu apelido era Pitoco(um pequeno botão)pois tinha 1,50m de altura(naquela época), pesava meus 50 kg e não conseguia carregar meu próprio barco. Eu tinha entre 15-16 anos de idade e as outras meninas eram mulherões comparadas a mim… tinham entre 22-36 e já eram adultas formadas… consegui pegar todo mundo 1 ano depois pois aumentava 1cm de altura e 1kg de musculatura por mês e peguei todas elas depois de um ano de treino. Madona perdia no requisito musculatura e boa forma quando se referia a minha forma física naquela época.

Não pagava nada para treinar no Sport clube, eles pagavam meu transporte público e só tinha que treinar entre 3-4 horas diárias, todos os dias, inclusive, sábados e domingos… eu AMAVA aquilo… minha cidade se diz ser a Veneza Pernambucana pois é cortada pelo Rio Capibaribe e eu tive o privilégio de cortar cada braço daquele rio. Ver as garças molhando as asas com os voos rasantes na água, o mangue, a vegetação praieira, um luxo… clima quente, bom, agradável.

Tinha seu Hugo, um argentino que consertava os barcos, cada um tinha seu barco Canoé e dividíamos entre nós barcos duos, triplos e quádruplos, dependendo do dia. Foi um tempo muito bom para meu crescimento pessoal, apesar da pouca idade… o contato com o rio, com pessoas mais velhas, responsáveis, disciplinadas…

A grade de treinamento era pesada mas muito saudável. Fazíamos natação, corrida, remo ergômetro, tipo: fazíamos um treino adicional mas o barco teria que ir para água diariamente. Nos finais de semana fazíamos competição e nossas competições eram contra os homens… só poderia participar de competições sérias quando começasse a ganhar dos rapazes.

Minha mãe sempre ficava preocupada com acidente e acredito que ela tenha sido um dos motivos pelo quais desisti do treino um ano depois… eu não tinha tempo para nada, minha vida era remar e ir para escola… era tanta pressão dos treinadores, clube, pais, que no final foi melhor desistir… minha liberdade pesou mais no final… valeu a experiência. Minha curiosidade de adolescente ganhou para a disciplina militar q exigia do atleta… depois disto tive uma vida normal e decidi fazer educação física na Universidade 2 anos depois.

O que levo comigo de bom daquela época é o amor ao esporte, gosto de me movimentar e estar ativa… tento motivar meus filhos a fazerem sempre alguma atividade e os danadinhos são bons no que eles fazem . Passei a Amar do fundo do meu coração a cidade de onde nasci, apesar de não morar lá há 16 anos… Fico sempre muito triste quando encontro os mochileiros ou as pessoas que se mudaram do Brasil, vejo uma legião de pessoas cuspindo no prato que comeram um dia e jogaram para trás quando se referem as suas cidades… mais consciência, People!

Aulas de Reforço

“Conte-me e eu esquecerei. Mostre-me e eu apenas me lembrarei. Envolva-me e eu compreenderei.”(Confucio).

Começo o texto de hoje com a frase do filósofo Chinês Confucio pois eu sou uma professora nata, gosto de dividir minhas experiências, às vezes, dou conselho sem pedir(meu desafio de vida, típico de sagitariano)… mas tenho este dom natural que me segue pela vida… Apesar de não trabalhar com educação ou licenciatura hoje.

Aos 16 anos de idade eu comecei a dar aulas de reforço para crianças entre 8 e 10 anos de idade, minhas aulas reforçavam as matérias da escola dessas crianças… fazia basicamente as tarefas que os professores passavam para fazer em casa e reforçava o que eles precisavam, geralmente era português e matemática. Eu tinha entre 3 e 5 alunos diariamente, eles vinham até a mim ou eu ia até a eles. Sempre chegavam crianças que precisavam de aulas de reforço para as provas ou para pegarem entre 2 ou 3 aulas para fazerem as provas. Eu tive esta ideia pois queria ter um dinheiro extra para comprar as coisas que um adolescente normal gosta como roupas da moda, maquiagens, bolsas, ter dinheiro para as festinhas. Naquela época não existia, na minha realidade, o projeto pequeno aprendiz, empresa da família, bolsa escola ou mesada dos pais mesmo… lembra que meus pais têm 9 filhos? Tive que me virar bem cedo, se você tiver um pouco de inteligência você consegue produzir, hoje tem os blogues, YouTube, Facebook, o trabalho pelo internet e mais um monte de opções criativas.

Dei aulas particulares até meus 18 anos, quando pude arrumar um emprego registrado. Dei aula de dança em academia, trabalhei numa concessionaria da Fiat vendendo consórcio, trabalhei em shopping center como vendedora, sempre tive o pé dentro das vendas no final da minha era no Brasil pois sempre adorei ter contato com as pessoas.

Eu tinha uma relação de Dudde(parceiro)com os pequenos, as crianças confiavam bastante em mim e sempre eu conseguia pegar detalhes que os pais não pegavam… às vezes eu tinha que quebrar este código de ética(apesar da pouca idade)e tinha que explicar a situação para os pais, para os pequenos terem a ajuda que precisavam. Às vezes eu percebia que os pais não tinham muito tempo ou não levava muito a sério o que eu estava expondo pois eu era quase uma criança que nem os filhos deles também. Acredito que aquela experiência me fez ficar esperta para muita coisa com relação aos meus filhos.

Lembro que eu passei a tirar boas notas na escola esta época pois além de ter uma rotina sistemática que me dava tempo de estudar minhas tarefas de casa, o método de ensinar para o próximo o que havia aprendido me deu autonomia no aprendizado das informações novas que me chegavam.

Fazer perguntas aos meu filhos foi uma das coisas que aprendi depois de ser mãe, isto os deixa refletirem sobre as coisas, deixá-os tomar decisões, os transformam em pessoas independentes, decididos… é tudo de bom, o diálogo flui mais fácil pois eles estão acostumados a argumentarem.

Não existe método certo ou errado, quando se faz com Amor, se tem uma grande chance de se acertar. ❤️

Lídia

Conheço muitas pessoas tanto no Brasil quanto na Noruega(onde já passei 1/3 da minha vida) e posso dizer que tenho poucos, fiéis, bons amigos… pessoas que você deixa entrar no coração, no círculo mais íntimo. Lídia foi uma dessas, pena que ela não sabia disto.

Nos conhecemos no 5. ano da escola do bairro. Ela era branquinha com os cabelos BEM pretos(descendência dos índios). Desde cedo Lídia mostrou ser uma batalhadora e muito talentosa. Estudamos o 5. e o 6. ano juntas. Depois destes 2 anos, minha mãe me transferiu para uma escola que ficava no centro da cidade… minha mãe tinha o sonho que todos os seus filhos tivessem formação acadêmica, pois este era o sonho que ela tinha para ela mesma, o destino não havia sido tão bonzinho para ela e meus pais trabalharam duro a vida toda para pagar nossas escolas.

Voltando aos tempos que passei com Lídia na escola… esta escola que frequentávamos não era classe-A, mas Lídia era auto-didata, jogava xadrez nas pausas enquanto eu jogava queimado(jogo de bola); Ela tirava excelentes notas e resultados, enquanto eu ficava na média… ela lia bastante, era super inteligente para a idade de 11 anos. Como todos éramos pobres, Lídia começou a trabalhar cedo, mais ou menos nesta época para comprar seus materiais de pintura, desenho, tecelagem, enfim, se virar.

Se voltar no tempo, nem sei se nós tínhamos muito contato na escola, Lídia passou a me visitar na minha casa uma vez ao ano depois que saí daquela escola e nunca perdemos o contato, sempre sabíamos uma da outra. Nós duas tínhamos algo em comum, apesar de nossas realidades serem diferentes, ambas sempre tivemos muitas responsabilidades com pouca idade. E assim, Lídia foi crescendo e fazendo da vida uma networking… nós éramos diferentes nos nossos estilos mas dividíamos muitas coisas em comum.

Lídia casou bem cedo, na idade de 18 anos e eu fui convidada para seu casamento. A cerimônia foi simples mais bem íntima e de muito bom gosto. Seu primeiro casamento não durou mais que 5 anos, acabou, inclusive, por acaso… acredito que eles eram muito jovens para aquilo, ninguém deveria se casar aos 18 anos de idade… enfim, depois do divórcio, ela teve alguns relacionamentos nas entrelinhas mas o que nem Lídia sabe é que ela nunca saiu totalmente daquele primeiro relacionamento… muitas mágoas, nunca conversaram a respeito, nunca se perdoaram e assim minha ariana favorita foi levando a batata quente para a próxima relação sem nem ter noção disto. Acredito que eu deveria ter dito isto para ela um dia… mas estas coisas são tão íntimas e nunca tive jeito de falar… nos últimos anos não tive muito contato com Lídia.

Lídia é de Áries e ariano tem um defeito bizarro, eles tem problema para perdoar, falo isto pois sou casada com uma pessoa de Áries e vejo que eles levam o problema para cova, se for possível, já eu sou sagitariana, levo tudo na valsa, perdoo tudo, esqueço tudo e saio linda… esta era nossa diferença, enquanto uma acumulava mágoa ao longo da vida, a outra jogava no vento. Sofremos absurdos, passamos por poucas e boas, agradeço isto a lei do carma mas o que sobrou de tudo isto e que hoje as duas estão com 40 anos de idade(+/- 30 anos de amizade), ambas somos resultado daquilo que vivemos e a amizade foi desfeita há mais ou menos uns 2 meses atrás.

Uma coisa que observo nas pessoas perfeccionistas e dedicadas que conheci até hoje é que elas usam tanto do seu tempo para fazer seus projetos que no final das contas, as expectativas, a falta de gratidão, os sentimentos no geral mesmo desaparecem, deixando um buraco onde a comunicação, as relações humanas ficam complicadas e eles só veem o lado deles é mais nada. Não tem noção que uma estória é composta por 2 partes.

Lídia sempre teve problemas com sua mãe, que com o passar dos anos mostrou ter sérios problemas mentais, mas o danado do ariano é que nem jumento, só vê no ângulo frontal e nunca conseguiu perdoá-la. Confesso que as vezes me dá uns ataques de menina mimada sem ser e tenho muita raiva de muitas coisas que aconteceram comigo mas você só faz se envenenar se você não se permite passar para o próximo capítulo da sua vida.

Pensei quando nossa amizade se foi há dois meses, caraca, se ela não perdoou a própria mãe, porque ela vai me perdoar? Os anos se passaram, o casamento de Lídia acabou, ela se mudou para a Espanha, passou por poucas e boas… aconteceram muitas coisas chatas tanto comigo quanto com ela neste intermédio e o que Lídia nunca entendeu é que eu não sou mais sozinha, tenho marido, DOIS filhos, simplesmente tenho que colocá-los na frente de tudo e de todos, assim ela levou uma mágoa de dez anos por eu não deixar ela morar um período na minha casa… a estória é longa, triste, cheia de detalhes sórdidos mas não a culpo e nem tão pouco coloco esta culpa nos meus ombros… se não era para ser, não será. A amizade nunca mais foi a mesma depois do acontecido, tínhamos contato p e-mail, cheguei a visitá-la na Espanha ano passado e me aconteceu uma coisa meio estranha quando tiramos uma foto numa praça de decoração Grega, tive a impressão que aquela seria a última vez que nos vimos. Eu acreditava que Lídia havia me perdoado mas parece que não. Virei um monstro para Lídia pois não atingi o seu grau de expectativa. Me perguntei seriamente se as vezes que ela me procurava era só para tirar algum proveito pois foi assim que me senti depois de todos estes anos, usada… se me procurava só para vender seus bibelôs, se me procurava só para me ter na reserva e ser jogada no lixo quando ela tivesse a certeza de que não precisaria mais de mim.

Aprendi que nós nos envenenamos a cada dia e aos poucos quando não perdoamos as pessoas, quando não passamos para o próximo capítulo. Aprendi com esta mulher forte e cheia de talento que ela está se atolando num poço de mágoas sem perceber.Que a saída para ela ter paz na vida seria perdoar sua mãe louca, o ex-marido, me perdoar, perdoar, perdoar, perdoar. Me vejo em quase tudo que Lídia fez/faz só que a diferença entre nós é que nunca perdi a fé na humanidade, nas pessoas, na vontade de viver, a vida perderia o sentido para mim.

Quero me ver num futuro próximo bem resolvida com relação a esta amizade que, no caso, não estacionou por minha causa. A vida vem me ensinando a deixar ir e o tempo mostra tudo direitinho, remedia tudo, coloca os pontos nos iiiis. É assim que me vejo com relação a esta amiga querida… temos que desistir, jogar no  Universo, no vento, para que o problema seja resolvido. Não sei porque era sempre eu que a procurava nestes últimos anos, talvez consciência pesada?! O tempo vai mostrar, tenho certeza que isto é o melhor a fazer. Da minha parte vou tentar não levar nenhuma mágoa pois ninguém merece levar um fardo desses. Buena Jornada…

Svømming(Natação em norueguês)

Escrevi natação em norueguês no título do texto de hoje pois posso dizer que aprendi ou aprimorei minhas técnicas de natação depois dos 40 anos de idade aqui em Oslo-Noruega… E eu que pensava que sabia nadar e muito bem, sqn.

Meus pais que além de trabalharem 100% ou mais de uma carga horária normal de trabalho e terem 9 filhos para administrarem no tempo livre deles, não tinham muito tempo de nos acompanhar nas atividades, assim íamos à praia 1 ou 2 vezes ao ano quando uma tia nossa nos levava e mais tarde quando eu tinha entre 11 ou 12 anos de idade ficamos sócios do Sport Clube do Recife(onde remei quando tinha 16 anos de idade e praticava a natação assiduamente uma vez por semana), minha família em peso passou a frequentar este clube. O clube era mais ou menos perto de onde morávamos e assim os irmãos ou primos mais velhos ficavam “responsáveis” de levar os mais novos(eu, por exemplo…).

Lembro que com o tempo fui aprendendo a boiar, flutuar, mergulhar e até arriscar a dar umas braçadas, pular dos trampolins, descer no tobogã. Meus primos traziam chicletes(chiclé)e fazíamos concorrência para ver quem conseguia pegar mais Chicletes em baixo da água, com isto, o fôlego, a resistência ia aumentando e chegávamos a ficar 1:30 min/seg em baixo da água no nosso tempo de ouro, rs… Gostaria de salientar que não usávamos óculos de natação, imaginem como os olhos ficavam?  No final do dia vocês poderiam imaginar também o tamanho da boca cheia de chicletes. Fiquei sabendo agora em 2018 em passagem de férias pelo Brasil, 30 anos depois, que os chicletes eram “emprestados” do fiteiro de minha tia só que ela não sabia disto… fazíamos a maiorrrr farra, as outras crianças do clube, vendo a farra, vinham, participavam também e no final tinha uns 20 pirralhos pulando enfurecidos dentro de uma piscina olímpica para salvar sua dosezinha de açúcar, bons tempos.

Quebrei um dente incisivo(um dos oito da frente e que tem a função de cortar)descendo no tobogã com meu irmão quando tinha 11 anos de idade e acreditem, ele é quebrado até hoje com os meus quase 41 anos de idade… todos os dentistas que passei até hoje disseram que a parte quebrada é tão pequena que não vale à pena preencher com porcelana pois além de cair fácil, eles ainda tem esperança do dente se ajustar por ele mesmo sem precisar aumentar esta falha com a broca, sinistro… Boas lembranças, né?!

Enfim, se minha mãe fosse pagar natação para mim, teria que pagar para a prole toda de 9 filhos, ou seja, tivemos que ser criativos para aprender a nadar. Eu tinha uma prima que fazia natação, então, eu ficava ouvindo as dicas do professor dela e fazia da mesma forma na piscina ao lado, não existia youtube naquela época, gente… assim, “aprendi” a nadar mas nunca competi e nunca fui uma nadadora habilidosa pois faltavam os detalhes que só os vídeos do youtube ou só um professor que te acompanha corrige, faltava o meio giro do quadris, as mãos fechadas, o círculo do braco passando pelo quadril para se ter a certeza que estava fazendo-o corretamente, respiração compassada, a velocidade com uma aceleração controlada… acredito que morreria se tivesse a bordo do Titanic e precisasse nadar para o barco salva-vidas…

Este meu estilo de natação “surfista de fim de semana” dava para enganar nas férias com as crianças, nos cruzeiros de fim de semana, etc… até o dia que estava de férias no Brasil(coincidentemente em 2018 também) e tentei fazer uma aula de Kitsurf, foi aí que percebi que minha resistência(fôlego) estava horrível, minhas poucas “técnicas” haviam sumido todas e isto me dava uns ataques que pânicos que eu poderia perder minha vida se não tivesse um bom instrutor do meu lado. Decidi então nadar 1h, uma vez por semana quando voltasse para Oslo pois me descobri uma apaixonada pelos esportes náuticos, acho que fui uma Raia em outras existências e meu nado meia boca não ia me impedir de mergulhar, subir em prancha de surf, fazer kitsurf, etc… você precisa estar bem segura na água, pois além de todas estas técnicas que é prescindível saber, ainda tem as coisas que fogem seu domínio como correnteza, vento, tubarão faminto que quer comer turista, jetski/barco dirigido por gente alcoolizada, menor de idade ou sem habilitação, etc… a margem de risco diminui e MUITO, entendeu?!

Assisto sempre um ou dois mini-vídeos de uns 2 min cada pelo Youtube quando estou a caminho da natação, tento praticá-los e minhas técnicas estão melhorando a cada dia… treino sozinha, comecei usando a pranchinha de isopor pois meu fôlego estava tão ruim que tinha que parar quando dava umas 10 braçadas e olha que não fumo. Treino numa piscina olímpica de 50 m, nado o estilo Crawl na ida e volto no estilo costa… faz uns 2 meses que comecei a treinar uma vez por semana e não me meti a treinar os outros estilos ainda, quero treinar o fôlego(resistência)e as técnicas destes dois estilos primeiro. Quando não precisar mais do isopor e dominar bem as técnicas deles, vou me meter a nadar feito um golfinho, uma borboleta, abrindo peito feito um frango assado, etc… por hora fico me concentrando nas pequenas técnicas que é a base para todas. Quem sabe vou treinando o mergulho, o kitsurf ou até mesmo o surf antes de ir para o Brasil onde as viagens acontecem para nós à cada 2 ou 3 anos?

Agora vou falar que nem meu falecido pai: “E pra quê tá se metendo nessas águas, Deus não te fez peixe, minha filha, pra você sair nadando, não te colocou escamas?” E aí, eu respondia: Para quebrar meus limites a cada dia e é isto que me faz a lutadora que sou, eu tenho que saber onde são meus limites para tentar superá-los. ☺️

O Coral

Li em algum lugar que temos 7 inteligências e que TODOS nós podemos explorar cada potencial dentro de nós mesmos… são elas:

1-A Inteligência Interpessoal onde você consegue trazer à tona suas qualidades de uma forma harmônica.

2-A Inteligência Intrapessoal onde você consegue trazer à tona as qualidades dos outros, o que um bom líder faz.

3-A Inteligência Lógica ou Matemática. Númerossssss…

4-A Inteligência Espacial(nada de GPS’s).

5-A Inteligência Musical. SING, SING, SING, SING…

6-A Inteligência Corporal. Onde envolve os Movimentos, sensações, emoções… a dança dos 5 ritmos.

7-A Inteligência Verbal. Onde envolve a Fala, tom, novas línguas, escrita/falada/ouvida…

Percebi que de todas as inteligências citadas, eu estava devendo feio na minha inteligência Musical pois NUNCA trabalhei o canto, a voz, as notas musicais seriamente… posso dizer que sou uma cantora de banheiro. Achei que estava na hora de treinar minha Inteligência Musical.

Engraçado é que a minha Inteligência Espacial é horrível também mas tenho uma boa arena depois que comecei a dirigir, você exercita direitinho. Minha Voz tinha mais urgência.

Achei então no grupo do FB do meu bairro um anúncio de um coral de “Amadores” onde não era necessário ter conhecimentos musicais, você só precisava ter a música no coração e acompanhar o ritmo. Pensei: Perfeito!

Descobri que eles ensaiavam há 600 m de onde eu moro, uma vez por semana, tinham entre 2 e 4 concertos por ano, 1 concerto de Natal, 1 de verão, nada de vender bolo na porta do supermercado para arrecadar fundos e a mensalidade semestral não era das piores… Perfeito… Me inscrevi!

Chegando lá descobri que tanto eu como a dirigente éramos novatas, a jovem dirigente me fez um teste vocal de uns 3 minutos e pimba, EU SOU SOPRANO… como, se nunca cantei, trabalhei minha voz? Lembro que voltei para casa naquele dia como se tivesse sido Iluminada, rs.

Continuei a ir para os ensaios mas percebi rapidinho que aquele coral não tinha muita coisa de amador pois a grande maioria sabia ler partitura e já estavam ensaiando há anos. Tive que ficar bem quietinha pois não tive coragem de dizer que nós não estudamos música quando vamos para escola no Brasil, eles estudam musica desde o primeiro ano. 😦

Simplesmente eu ficava cantando num tom mais baixo e acredito que consegui acompanhar. Descobri que trabalhava minha voz cantando no banheiro sem saber. Vi uma entrevista de Gal Costa uma vez falando que cantava no banheiro também e que usava uma panela para trabalhar os tons de uma forma diferente, acústica… criativo e bem barato.

O bom do coral é que sempre aprendo músicas novas nas quais não fazem parte do meu repertório normalmente e é sempre bom descobrir novos clássicos de Natal, de verão, etc… ainda não leio de carrerinha as notas mas sempre aprendo uma coisa outra.

Eu sou BEM sinestésica(aprendo melhor me movimentando) e adoro me movimentar quando canto… gosto de ter contato com o público, só que o canto com coral não é solo, tem o dirigente, o piano, o solista, os tenores, os barítonos, os sopranos e dependendo da parte da música você tem que aumentar ou diminuir a intensidade da voz, ou seja, as pessoas do Coral ficam com cara de vidraça pois é muita coisa para se concentrar e esquecem de sorrir, de olharem para o público, às vezes, até de se movimentar… claro, nosso coral é de “Amadores” mas um coral tradicional mesmo tem até coreografia, estralos de dedos, etc… dependendo da perfeição que queiram tem que treinar, treinar e treinar.

Esta pode ser uma atividade que me engajei para quebrar algumas barreiras na minha vida e estou adorando.